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Souto,
freguesia do concelho de Abrantes distrito de Santarém, localiza-se num
planalto junto ao Rio Zêzere. Pertencem a freguesia do Souto as
povoações, a própria aldeia do Souto, Atalaia, Bioucas, Carregal,
Maxieira, Quinta e Ribeira da Brunheta.
O nome advém provavelmente da existência de um (Souto) mata de
castanheiros.
A ocupação Humana do território remonta a épocas ancestrais nomeadamente
ao Calcolítico.
Esta freguesia teve, outrora uma relativa importância militar que lhe
foi reconhecida, primeiramente pelo General Conde de Lippe (1724-1777),
que aqui estabeleceu uma das suas mais poderosas linhas de resistência
ao invasor castelhano.
Souto adquiriu o estatuto de freguesia em 21 de Outubro de 1629 (quase a
400 anos, quatro séculos, é bem antiga)
Foi uma das maiores freguesias do concelho de Abrantes (agora divida por
3: Souto, Fontes e Carvalhal) |
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- Souto
Não obstante os assentos paroquiais desta freguesia nada revelarem de
anormal, a avaliar pelo que nos chegou via paróquia de S. Vicente e
também pelas queixas dos moradores aos responsáveis do reino, parece
indubitável ter sido o Souto uma das áreas mais afectadas. Logo na
entrada de Junot por S. Domingos, nos finais de Novembro de 1807, foi
devassada a velha ermida do lugar e queimadas as imagens que aí havia.
Relativamente à igreja matriz, testemunhava em 27.5.1815 o P.e José dos
Santos Baptista, morador no Souto, perante o corregedor da comarca:
«...pelo ver, ser público e bem notório, [afirmo] que a igreja matriz,
pela invasão última do exército francês [finais de Abril de 1811], ficou
inteiramente arruinada e destruída, assim como as imagens dos seus
santos queimadas e despedaçadas». De resto, a taxa de mortalidade
cresceu muito: 31 óbitos em 1807, 56 em 1808, 87 em 1809 e, de 1810...
31 só até 26 de Agosto [Falta o livro do assentos de defuntos seguinte,
de Setembro 1810 a 1820, que seria o principal como fonte informativa e
aquele que discriminaria as vítimas]. ;
Fonte:http://guerradosapatos.no.comunidades.net/index.php?pagina=1077940942 |
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- Aldeia do Mato
Foi, juntamente com o Souto, uma das mais sacrificadas... Segundo o
testemunho do seu cura-reitor António de Matos Ferraz, que fugiu da
paróquia amedrontado, «No mês de Novembro de 1810 entrárão os Franceses
nesta freguesia e no ano de 1811, e destruírão a igreja matriz de
maneira que só deixárão ás paredes, e matárão muita gente desta
freguesia e de outras mais, e presentemente digo missa nas casas da
minha residência, e para constar fiz a presente declaração» (RP). As
vítimas directas à mão da tropa francesa somaram 13 moradores com morte
violenta e imediata, que a seguir se discriminam, todos em 1811:
- A 21 de Março – João Soares, do Souto, sepultado no campo em um lugar
bento e assinalado pelo cura, registado a 27; e um outro indivíduo que o
cura identificou como sendo do lugar do Contraste, sepultado a 22 também
em campo bento.
- Achados mortos entre 27 e 29 de Abril e todos enterrados no campo –
António Amaro, natural do Souto e que morava a soldada com Manuel
Fernandes, das Fontainhas; Simão Joaquim, que era casado com Maria
Antónia, da Medroa; Manuel Rodrigues, casado com Damásia Maria, da
Medroa; Cipriana, filha do casal anterior; Manuel Francisco, viúvo de
Mariana Vicente, do lugar das Casinhas; outro Manuel Francisco, casado
com Maria Nunes, da Carreira do Mato; Manuel Pires, casado com Ana
Maria, da Carreira do Mato; Francisco, filho do casal anterior; João,
criado de António José dos Santos, também da Carreira; José Lopes, ainda
da Carreira; um outro Manuel Francisco, casado com Eugénia Maria, da
Cabeça Gorda. - Achado morto pelos franceses a 3 de Maio – José dos
Santos, do lugar das Figueiras.
Contudo, analisando globalmente os óbitos da paróquia, verificamos que
os custos indirectos terão sido enormes, pelo pânico instalado mormente
entre crianças, pela doença (“maligna”) e pela fome, «por estar a
freguesia invadida do inimigo». Assim, se em 1807, ano da 1.ª invasão,
encontramos apenas 13 óbitos, em 1808 já se registou uma ligeira subida
(21), em 1809 houve 19 e em 1810 (ano da nova invasão) outros 19; mas em
1811 as cifras ascenderam a um total record de 82 óbitos, sendo os
piores meses os de Abril com 32 (11 assassinados pelos franceses), Maio
com 24 e Março com 7 (2 pelos franceses); em 1812 houve 24 e em 1813
houve 18. Faltam os dados completos de 1814.
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